01 fevereiro 2016

Dengue hemorrágica

engue hemorrágica

 visão geral

O que é Dengue hemorrágica?

A dengue hemorrágica acontece quando a pessoa infectada com dengue sofre alterações na coagulação sanguínea. Se a doença não for tratada com rapidez, pode levar à morte. No geral, a dengue hemorrágica é mais comum quando a pessoa está sendo infectada pela doença a segunda vez.
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Dengue hemorrágica é causa pelo mosquito Aedes aegypti
Existem quatro tipos de dengue, pois o vírus causador da dengue possui quatro sorotipos: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4. A infecção por um deles dá proteção permanente para o mesmo sorotipo, mas imunidade parcial e temporária contra os outros três.
Os sintomas iniciais são parecidos com os da dengue clássica, e somente após o terceiro ou quarto dia surgem hemorragias causadas pelo sangramento de pequenos vasos da pele e outros órgãos. Na dengue hemorrágica, ocorre uma queda na pressão arterial do paciente, podendo gerar tonturas e quedas.
A dengue era considerada uma doença benigna até a década de 1950, quando ocorreu uma epidemia de dengue hemorrágica nas Filipinas. No continente americano, a primeira epidemia de dengue hemorrágica aconteceu em Cuba, em 1981. No Brasil os casos de dengue hemorrágica eram muito raros até o ano 2000, quando chegou ao país o vírus da dengue tipo 3. Isso aumentou o número de casos uma vez que passou a infectar pessoas que já tinham sido acometidas pelo vírus 1 e/ou 2.
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Devemos dizer "a dengue" ou "o dengue"?

A forma mais correta, sob o ponto de vista da gramática, é “o dengue”, no masculino. Entretanto, também está certo dizer “a dengue”, que hoje é em dia é a forma mais utilizada e até aceita em dicionários.

Causas

A dengue não é transmitida de pessoa para pessoa. A transmissão se dá pelo mosquito que, após um período de 10 a 14 dias contados depois de picar alguém contaminado, pode transportar o vírus da dengue durante toda a sua vida.
O ciclo de transmissão ocorre do seguinte modo: a fêmea do mosquito deposita seus ovos em recipientes com água. Ao saírem dos ovos, as larvas vivem na água por cerca de uma semana. Após este período, transformam-se em mosquitos adultos, prontos para picar as pessoas. O Aedes aegypti procria em velocidade prodigiosa e o mosquito da dengue adulto vive em média 45 dias. Uma vez que o indivíduo é picado, demora no geral de três a 15 dias para a doença se manifestar, sendo mais comum cinco a seis dias.
A transmissão da dengue raramente ocorre em temperaturas abaixo de 16° C, sendo que a mais propícia gira em torno de 30° a 32° C - por isso ele se desenvolve em áreas tropicais e subtropicais. A fêmea coloca os ovos em condições adequadas (lugar quente e úmido) e em 48 horas o embrião se desenvolve. É importante lembrar que os ovos que carregam o embrião do mosquito da dengue podem suportar até um ano a seca e serem transportados por longas distâncias, grudados nas bordas dos recipientes. Essa é uma das razões para a difícil erradicação do mosquito. Para passar da fase do ovo até a fase adulta, o inseto demora dez dias, em média. Os mosquitos acasalam no primeiro ou no segundo dia após se tornarem adultos. Depois, as fêmeas passam a se alimentar de sangue, que possui as proteínas necessárias para o desenvolvimento dos ovos.
O mosquito Aedes aegypti mede menos de um centímetro, tem aparência inofensiva, cor café ou preta e listras brancas no corpo e nas pernas. Costuma picar, transmitindo a dengue, nas primeiras horas da manhã e nas últimas da tarde, evitando o sol forte, mas, mesmo nas horas quentes, ele pode atacar à sombra, dentro ou fora de casa. Há suspeitas de que alguns ataquem durante a noite. O indivíduo não percebe a picada, pois não dói e nem coça no momento.
A fêmea do Aedes aegypti voa até mil metros de distância de seus ovos. Com isso, os pesquisadores descobriram que a capacidade do mosquito é maior do que os especialistas acreditavam.
Qualquer um dos quatro sorotipos da dengue pode causar dengue hemorrágica. Dificilmente a dengue hemorrágica acontece quando a pessoa é infectada pela primeira vez, mas as chances aumentam nas segunda, terceira ou quarta infecções.
O que é dengue? - SAIBA MAIS
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 sintomas

Sintomas de Dengue hemorrágica

Os sintomas da dengue hemorrágica são os mesmos da dengue clássica. A diferença é que a febre diminui ou cessa após o terceiro ou quarto dia da doença e surgem hemorragias em função do sangramento de pequenos vasos na pele e nos órgãos internos. Veja os sinais de alerta:
  • Dores abdominais fortes e contínuas
  • Vômitos persistentes
  • Pele pálida, fria e úmida
  • Sangramento pelo nariz, boca e gengivas
  • Manchas vermelhas na pele
  • Comportamento variando de sonolência à agitação
  • Confusão mental
  • Sede excessiva e boca seca
  • Dificuldade respiratória
  • Queda da pressão arterial.
Na dengue hemorrágica, o quadro clínico se agrava rapidamente, apresentando sinais de insuficiência circulatória. A baixa circulação sanguínea pode levar a pessoa a um estado de choque. Embora a maioria dos pacientes com dengue não desenvolva choque, a presença de certos sinais alertam para esse quadro:
  • Dor abdominal persistente e muito forte
  • Mudança de temperatura do corpo e suor excessivo
  • Comportamento variando de sonolência à agitação
  • Pulso rápido e fraco
  • Palidez
  • Perda de consciência.
A síndrome de choque da dengue, quando não tratada, pode levar a pessoa à morte em até 24 horas. De acordo com estatísticas do Ministério da Saúde, cerca de 5% das pessoas com dengue hemorrágica morrem.

Gripe x Dengue

Muitos casos de dengue são descobertos e tratados tardiamente pelas semelhanças que a doença possui com a gripe, deixando o paciente menos preocupado em encontrar um tratamento adequado. Há situações também em que a pessoa pode desconfiar de dengue, mas que uma simples análise dos sintomas pode eliminar essa suspeita. A principal diferença entre a febre da dengue para a da gripe é que, no caso da gripe, surgirão sintomas respiratórios normalmente nas primeiras 24 horas após o início da febre. Além disso, espirros, tosse e a produção de muco no nariz são sintomas comuns da gripe. A dengue não causa sintomas respiratórios por que o mecanismo da doença não afeta o sistema respiratório, como é o caso da gripe.

 diagnóstico e exames

Diagnóstico de Dengue hemorrágica

Se você suspeita de dengue, vá direto ao hospital ou clínica de saúde mais próxima. Os médicos farão a suspeita clínica com base nas informações que você prestar, mas o diagnóstico de certeza é feito com exame de sangue específico. No atendimento, outros exames serão realizados para saber se há sinais de gravidade ou se você pode manter repouso em casa.
O exame físico pode revelar:
  • Fígado aumentado (hepatomegalia)
  • Pressão baixa
  • Erupções cutâneas
  • Olhos vermelhos
  • Garganta vermelha
  • Glândulas inchadas
  • Pulsação fraca e rápida.
Os exames podem incluir:
  • Testes de coagulação
  • Eletrólitos
  • Hematócrito
  • Enzimas do fígado
  • Contagem de plaquetas
  • Testes serológicos (mostram os anticorpos ao vírus da dengue)
  • Teste do torniquete: amarra-se uma borrachinha no braço para prender a circulação. Se aparecerem pontos vermelhos sobre a prele, é um sinal da manifestação hemorrágica da doença
  • Raio X do tórax para demonstrar efusões pleurais.

 tratamento e cuidados

Tratamento de Dengue hemorrágica

Não há um tratamento específico para a dengue hemorrágica. É importante apenas tomar muito líquido para evitar a desidratação. Caso você esteja com dores e febre, pode ser receitado algum medicamento antitérmico, como o paracetamol. Em alguns casos, é necessária internação para hidratação endovenosa e, nos casos graves, tratamento em unidade de terapia intensiva.
Pacientes com dengue hemorrágica devem evitar medicamentos a base de ácido acetilsalicílico (aspirina) ou que contenham a substância associada. Outros anti-inflamatórios não hormonais (diclofenaco, ibuprofeno e piroxicam) também devem ser evitados. O uso dessas medicações pode aumentar o risco de sangramentos. No caso da dengue hemorrágica, outros cuidados podem ser tomados, como:
  • Uma transfusão de sangue ou plaquetas pode corrigir os problemas de sangramento
  • Soro ou eletrólitos intravenosos para corrigir o desequilíbrio de eletrólitos
  • Oxigenoterapia para tratar um nível excessivamente baixo de oxigênio no sangue
  • Reidratação com soro intravenoso para tratar a desidratação
  • Cuidados assistenciais em uma unidade/ambiente de tratamento intensivo.

 convivendo (prognóstico)

Expectativas

Com cuidados precoces e intensos, a maioria dos pacientes se recupera da dengue hemorrágica. No entanto, o quadro clínico pode se agravar rapidamente sem os cuidados adequados, apresentando sinais de insuficiência circulatória e choque, podendo levar a pessoa à morte em até 24 horas. De acordo com estatísticas do Ministério da Saúde, cerca de 5% das pessoas com dengue hemorrágica morrem.

Complicações possíveis

A síndrome de choque da dengue é a complicação mais séria da dengue hemorrágica, se caracterizando por uma grande queda ou ausência de pressão arterial, acompanhado de inquietação, palidez e perda de consciência. Uma pessoa que sofreu choque por conta da dengue pode sofrer várias complicações neurológicas e cardiorrespiratórias, além de insuficiência hepática, hemorragia digestiva e derrame pleural. Além disso, a síndrome de choque da dengue não tratada pode levar a óbito.
Outras possíveis complicações da dengue incluem:
  • Convulsões febris em crianças pequenas
  • Desidratação grave
  • Sangramentos.

 prevenção

Prevenção

Evite o acúmulo de água

O Aedes aegytpi coloca seus ovos em água limpa, mas não necessariamente potável. Por isso, jogue fora pneus velhos, vire garrafas com a boca para baixo e, caso seu quintal seja propenso à formação de poças, realize a drenagem do terreno. Não se esqueça também de lavar a vasilha de água do seu bicho de estimação regularmente e manter fechadas tampas de caixas d'água e cisternas.

Use repelente

O uso de repelentes, principalmente em viagens ou em locais com muitos mosquitos, é um método eficaz para se proteger contra a dengue. Recomenda-se, porém, o uso de produtos industrializados. Repelentes caseiros, como andiroba, cravo-da-índia, citronela e óleo de soja não possuem grau de repelência forte o suficiente para manter o mosquito longe por muito tempo.

Coloque areia nos vasos de plantas

O uso de pratos nos vasos de plantas pode gerar acúmulo de água. Há três alternativas: eliminar esse prato, lavá-lo regularmente ou colocar areia. A areia conserva a umidade e ao mesmo tempo evita que e o prato se torne um criadouro de mosquitos.

Coloque desinfetante nos ralos

Ralos pequenos de cozinhas e banheiros raramente tornam-se foco de dengue devido ao constante uso de produtos químicos, como xampu, sabão e água sanitária. Entretanto, alguns ralos são rasos e conservam água estagnada em seu interior. Nesse caso, o ideal é que ele seja fechado com uma tela ou que seja higienizado com desinfetante regularmente.

Limpe as calhas

Grandes reservatórios, como caixas d'água, são os criadouros mais produtivos de dengue, mas as larvas do mosquito podem ser encontradas em pequenas quantidades de água também. Para evitar até essas pequenas poças, calhas e canos devem ser checados todos os meses, pois um leve entupimento pode criar reservatórios ideais para o desenvolvimento do Aedes aegypti.

Coloque tela nas janelas

Embora não seja tão eficaz, uma vez que não ficamos o dia inteiro em casa, colocar telas em portas e janelas pode ajudar a proteger sua família contra o mosquito da dengue. O problema é quando o criadouro está localizado dentro da residência. Nesse caso, a estratégia não será bem sucedida. Por isso, não se esqueça de que a eliminação dos focos da doença é a maneira mais eficaz de proteção.

Lagos caseiros e aquários

Assim como as piscinas, a possibilidade de laguinhos caseiros e aquários se tornarem foco de dengue deixou muitas pessoas preocupadas. Mas fique tranquilo. Peixes são grandes predadores de formas aquáticas de mosquitos. O cuidado maior deve ser dado, portanto, às piscinas que não são limpas com frequência.

Seja consciente com seu lixo

Não despeje lixo em valas, valetas, margens de córregos e riachos. Assim você garante que eles ficarão desobstruídos, evitando acúmulo e até mesmo enchentes. Em casa, deixe as latas de lixo sempre bem tampadas.

Microcefalia e zika são emergência de saúde internacional, declara OMS

01/02/2016 16h25 - Atualizado em 01/02/2016 17h10

Microcefalia e zika são emergência de saúde internacional, declara OMS

Anúncio foi feito em coletiva de imprensa nesta segunda-feira.
Órgão pediu ação internacional coordenada contra a doença.

Do G1, em São Paulo
Margaret Chan, diretora-geral da OMS, fala a jornalistas nesta segunda-feira (1º), em Genebra (Foto: Fabrice Coffrinni/AFP)Margaret Chan, diretora-geral da OMS, fala a jornalistas nesta segunda-feira (1º), em Genebra (Foto: Fabrice Coffrinni/AFP)
A disseminação do zika vírus e sua provável ligação com casos de microcefalia tornaram-se uma emergência de saúde pública internacional, declarou nesta segunda-feira (1º) a Organização Mundial da Saúde (OMS).
O anúncio foi feito em uma coletiva de imprensa em Genebra, depois da primeira reunião do Comitê de Emergência sobre zika vírus da OMS.
O grupo foi convocado na semana passada, quando o órgão demonstrou preocupação com a “propagação explosiva” do vírus e estimou que o número de casos nas Américas pode chegar a 4 milhões este ano.
Segundo Margaret Chan, diretora-geral da OMS, o Comitê de Emergência considerou que o aumento de casos de microcefalia e outras complicações neurológicas no Brasil e também na Polinésia Francesa e sua possível relação com o zika vírus consistem em uma situação extraordinária e uma ameaça para a saúde pública de outras partes do mundo.
A OMS afirmou que é necessária uma resposta internacional coordenada para fazer frente ao zika. Margaret Chan disse que a falta de vacina e testes confiáveis, além da falta de imunidade na população de países afetados recentemente são fatores de preocupação.
Relação entre zika e microcefalia
A diretora-geral da OMS disse ainda que uma possível relação causal entre o vírus zika e o aumento de malformações e complicações neurológicas está sendo "fortemente prospectada, porém ainda não comprovada cientifícamente" e que é preciso garantir esforços internacionais para investigar essa correlação.
Apesar de ainda não haver uma prova científica de que o zika seja a causa do aumento de casos de microcefalia, Margaret Chan enfatizou a importância de as medidas preventivas serem tomadas desde já e não esperar até que as evidências científicas sejam conclusivas.
"Existe uma associação temporal e geográfica. Quando isso for comprovado, queremos assegurar que todas as medidas de prevenção já tenham sido tomadas", disse David L. Heymann, presidente do Comitê de Emergência, durante a coletiva de imprensa.
O encontro do Comitê e Emergência começou pouco antes das 11h15 (de Brasília). Foi uma conferência telefônica entre oito especialistas, diretores da OMS e 12 representantes dos Estados membros, incluindo o Brasil, país mais afetado.
Recomendações para grávidas
A OMS não estabeleceu nenhuma recomendação oficial de restrição de viagens para mulheres grávidas. "Se elas puderem adiar a viagem de modo que isso não afete seus compromissos, é algo que elas podem considerar. Mas se precisarem viajar, podem se consultar com seus médicos e adotarem outras medidas de prevenção, como o uso de mangas longas, calças e repelentes de mosquitos, por exemplo", disse Margaret Chan.
Embora os sintomas do vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti costumem ser de pouca gravidade, o zika vírus passou a ser observado com mais atenção quando surgiram indícios que o vinculam ao número excepcionalmente elevado de casos de bebês que nascem com microcefalia.
O Brasil fez um alerta em outubro sobre um número elevado de nascimentos de crianças com microcefalia na região Nordeste. Atualmente há 270 casos confirmados e 3.449 em estudo, contra 147 em 2014.
O país notificou em maio de 2015 o primeiro caso de doença pelo vírus zika. Desde então, "a doença se propagou no país e também em outros 22 países da região", aponta a OMS.
O Brasil é o país mais atingido pelo vírus, seguido pela Colômbia, que neste sábado anunciou mais de 20 mil casos, 2 mil deles em mulheres grávidas. A Colômbia aconselhou as mulheres a adiarem a gravidez por seis a oito meses. Alertas similares foram feitos no Equador, El Salvador, Jamaica e Porto Rico.
O alerta também soou na Europa e Estados Unidos, onde o vírus foi detectado em dezenas de pessoas que viajaram ao exterior. No domingo, um instituto de pesquisa na Indonésia anunciou um caso positivo na Ilha de Sumatra e anunciou que o vírus circula "há algum tempo" no país.

Como eleição de 2016 nos EUA pode afetar o Brasil?

Como eleição de 2016 nos EUA pode afetar o Brasil?

  • 23 dezembro 2015
(Fotos: Jim Cole e Lance Iversen/AP)Image copyrightAP
Image captionA democrata Hillary Clinton e o republicano Donald Trump são os pré-candidatos favoritos
Onze meses antes da votação, a disputa pela sucessão do presidente Barack Obama já domina o noticiário nos Estados Unidos.
Em fevereiro, eleitores dos partidos Democrata e Republicano começam a votar em cada Estado para decidir quais pré-candidatos devem representar as siglas na eleição. As primárias se encerram em junho, quando os dois candidatos escolhidos passam a concorrer entre si.
A BBC Brasil entrevistou especialistas nas relações entre Brasil e Estados Unidos para saber de que forma a disputa eleitoral americana pode afetar o Brasil e os brasileiros - por exemplo, no que diz respeito à imigração e às relações comerciais.
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Diretor de América Latina da Brookings Institution, um dos principais centros de debate e pesquisa em Washington, Harold Trinkunas diz que políticos democratas tendem a ser mais abertos ao multilateralismo, o que em tese favorece as aspirações do Brasil por mais espaço em organismos e negociações internacionais.
"Essa seria uma diferença importante para o Brasil entre termos de um presidente democrata ou republicano", afirma.
Já o professor de relações internacionais da American University Matthew Taylor diz que o partido do presidente americano não tem feito muita diferença nas relações bilaterais.
Ele diz que o republicano George W. Bush se entendia muito bem com Luiz Inácio Lula da Silva, assim como o democrata Bill Clinton mantinha uma boa relação com Fernando Henrique Cardoso.
(Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)Image copyrightRoberto Stuckert Filho
Image captionApós estranhamento por causa de espionagem, Dilma e Obama têm mantido boa relação
Segundo Taylor, os laços entre Brasil e Estados Unidos tampouco deverão ser influenciados pelo debate durante a campanhas eleitoral, já que os dois governos geralmente interagem dentro das estruturas burocráticas.
Segundo ele, o avanço dos principais temas discutidos entre Obama e Dilma Rousseff na última viagem da presidente a Washington – como a cooperação em defesa, a facilitação dos vistos e o incremento do comércio – independem do clima político na capital americana.

Trump X Hillary

Para Taylor, "lamentavelmente, as campanhas americanas têm historicamente se preocupado muito pouco com o Brasil, e ainda menos com a América Latina".
Por enquanto, o empresário Donald Trump lidera as pesquisas entre os pré-candidatos republicanos, e a ex-senadora Hillary Clinton domina a disputa dos democratas.
Hillary se referiu indiretamente ao Brasil na campanha ao afirmar que "há muito que podemos aprender do sucesso da América Latina em eleger mulheres presidentes". Além do Brasil, na América Latina têm ou já tiveram chefes de Estado mulheres Argentina, Chile, Panamá e Costa Rica.
Em visita ao Brasil em 2010, quando era secretária de Estado do governo Obama, ela criticou a Venezuela e disse que Caracas deveria olhar para o Brasil como exemplo de um país bem-sucedido.
Trump, por sua vez, citou o Brasil na campanha ao listar países que, segundo ele, tiram vantagem dos Estados Unidos.
Mas talvez as propostas dele que mais afetem brasileiros sejam as relacionadas à imigração. Trump defende deportar todos os imigrantes sem documentos. Segundo o governo brasileiro, cerca de 730 mil brasileiros estão nos EUA em situação migratória irregular.
(Foto: BBC Brasil)Image copyrightBBC Brasil
Image captionMiami é um polo de imigrantes latino-americanos, alvo de ataques de Donald Trump
A proposta e a ressonância dela entre apoiadores devem tornar ainda mais improvável a discussão em 2016 pelo Congresso de uma reforma migratória que beneficie os brasileiros irregulares.
Normalmente, diz Harold Trinkunas, anos de eleição presidencial já tendem a afastar ainda mais grupos políticos adversários, dificultando entendimentos entre congressistas sobre temas polêmicos como imigração.

Isolamento comercial

A polarização política pode ainda adiar para 2017 a votação no Congresso americano da Parceria Transpacífica, acordo comercial entre os Estados Unidos e outros 11 países no Pacífico.
Analistas afirmam que a aprovação do acordo pode deixar o Brasil ainda mais isolado no comércio internacional. Tanto Hillary quanto Trump se disseram contra a parceria.
Para os analistas entrevistados, porém, o Brasil deverá ficar à margem da campanha presidencial principalmente por causa das crise política e econômica que atravessa.
"O Brasil hoje está totalmente ausente dos debates em Washington", diz Taylor.
Trinkunas afirma que, por causa da crise, o Brasil deixou de ter uma posição de destaque no cenário internacional, tornando menos prováveis embates entre o país e os Estados Unidos.
"É possível que durante a Olimpíada os candidatos façam comentários sobre o Brasil, mas se tudo correr bem nos Jogos dificilmente haverá algum ponto de atrito envolvendo o país."