05 agosto 2015

Em prancha, pescador fisga peixe monstruoso na costa dos EUA

05/08/2015 06h00 - Atualizado em 05/08/2015 06h29

Em prancha, pescador fisga peixe monstruoso na costa dos EUA

Garoupa foi capturada perto de Stuart, no estado da Flórida.
Peixe tinha mais de dois metros e peso estimado de 180 quilos.

Do G1, em São Paulo
Mesmo em uma prancha de stand up paddle, um pescador fisgou uma garoupa enorme na costa de Stuart, no estado da Flórida (EUA). Assista ao vídeo.
Pescador fisgou garoupa enorme na costa da Flórida (Foto: Reprodução/YouTube/Chew On This)Pescador fisgou garoupa enorme na costa da Flórida (Foto: Reprodução/YouTube/Chew On This)
Após uma longa batalha, o pescador conseguiu puxar o peixe de mais de dois metros de comprimento e com peso estimado de 180 quilos em cima da prancha.
O capitão Ben Chancey registrou em vídeo o momento em que o pescador capturou o enorme editado. Ele postou no YouTube uma gravação editada da pescaria.
Peixe tinha mais de dois metros de comprimento e peso estimado de 180 quilos (Foto: Reprodução/YouTube/Chew On This)Peixe tinha mais de dois metros de comprimento e peso estimado de 180 quilos (Foto: Reprodução/YouTube/Chew On This)

04 agosto 2015

ESTADOS UNIDOS Descobertos restos mortais de primeiros colonos ingleses na América

ESTADOS UNIDOS

Descobertos restos mortais de primeiros colonos ingleses na América

As ossadas de quatro pessoas que pertenceram ao grupo dos primeiros colonos ingleses chegados ao leste do continente norte-americano foram descobertos e identificados em Jamestown.
Jamestown, local onde foram encontradas as ossadas
AFP/Getty Images
Autor
  • Agência Lusa
As ossadas de quatro pessoas que pertenceram ao grupo dos primeiros colonos ingleses chegados ao leste do continente norte-americano foram descobertos e identificados no local histórico de Jamestown, o que foi considerada uma descoberta importante por arqueólogos.
Uma parte das ossadas de um padre anglicano e de três personalidades militares, chegados à Virgínia no século XVIII, foram descobertas enterradas na que foi a mais velha igreja protestante nos EUA, em serviço entre 1608 e 1616, que é objeto de investigação arqueológica desde há anos.
“É uma descoberta importante. Estes quatro homens são as personalidades mais antigas a terem sido descobertas na América”, indicou o presidente da associação histórica Jamestown Discovery, Jim Horn, à AFP.
“Perdidos para a história durante mais de 400 anos, a descoberta destes restos revela novos índices sobre a vida, a morte e a importância da religião numa das mais importantes colónias inglesas” na América, acrescentaram cientistas do Museu Nacional da História Natural e da Fundação para a Redescoberta de Jamestown, em declarações a jornalistas.
As quatro personalidades, com idades entre 24 e 39 anos, faziam parte do grupo dirigente desta primeira colónia permanente inglesa situada a sul do que é hoje Washington, e as primeiras, fora um jurista conhecido recentemente exumado, a serem identificadas com recurso à conjugação de tecnologia moderna e investigações nos arquivos britânicos.
O reverendo Robert Hunt, primeiro padre anglicano da colónia, e o capitão Gabriel Archer, fizeram parte da primeira expedição colonizadora de 1607. Estes colonos foram comandados pelo capitão John Smith e salvos pela índia Pocahontas, segundo uma célebre lenda popularizada por um desenho animado.
A seu lado, estavam Sir Ferdinando Wainman que, segundo os cientistas, foi o primeiro cavaleiro a ser enterrado na América, e o capitão William West, morto durante um confronto com os índios Powhatan.
Os quatro corpos, dos quais só resta cerca de um terço dos ossos, tinham sido enterrados perto do centro da igreja, sinal do seu estatuto social. “As condições de vida eram duras” nesta primeira colónia, acrescentou Jim Horn. “Vir para o Novo Mundo era arriscado para um europeu. A fome, os ataques dos índios e as doenças matavam os colonos e a maior parte deles não ultrapassavam os 40 anos”, especificou.

Obama promete manter pressão sobre islamitas somalis

ÁFRICA

Obama promete manter pressão sobre islamitas somalis

Os rebeldes 'shebab', com ligações à rede terrorista Al-Qaida, não têm mais nada a oferecer que "morte e destruição", afirmou Obama. Ainda assim, não vai enviar tropas para a Somália.
"Temos mais trabalho a fazer, temos agora de manter a pressão", reforçou o líder norte-americano
AFP/Getty Images
Autor
  • Agência Lusa
O Presidente norte-americano, Barack Obama, garantiu em Adis Abeba, na Etiópia, que Washington vai manter “a pressão” sobre os rebeldes ‘shebab’ da Somália, que perpetraram no domingo um atentado em Mogadíscio que causou 13 mortos.
Os rebeldes ‘shebab’, com ligações à rede terrorista Al-Qaida, não têm mais nada a oferecer que “morte e destruição”, afirmou Obama, durante uma conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro etíope, Hailemariam Desalegn.
Obama realçou, no entanto, que Washington não está a considerar o envio de tropas para países como a Somália, uma vez que os aliados regionais, como é o caso da Etiópia, do Quénia ou do Uganda, têm capacidade para liderar a luta antiterrorista naquela região com o apoio dos Estados Unidos.
“Existe uma complementaridade entre os nossos exércitos. Podemos ter recursos que eles não têm, mas não temos de enviar soldados, porque [os países da região] são grandes lutadores”, afirmou Obama, na capital etíope.
“Temos mais trabalho a fazer, temos agora de manter a pressão”, reforçou o líder norte-americano.
Após uma passagem pelo Quénia, o chefe de Estado norte-americano chegou no domingo à noite à Etiópia, país que combate os ‘shebab’ somalis no seio da força da União Africana na Somália (Amisom) e que é um importante parceiro dos Estados Unidos ao nível da segurança da região do Corno de África.
O atentado de Mogadíscio, perpetrado contra um hotel frequentado por diplomatas e onde funcionavam as missões diplomáticas de países como a China, Qatar e Emirados Árabes Unidos, foi reivindicado pelos islamitas somalis ‘shebab’. O último balanço do atentado, hoje divulgado, dava conta de pelo menos 13 mortos.
Na mesma conferência de imprensa em Adis Abeba, Obama afirmou que a Etiópia deve “fazer mais” em matéria de Direitos Humanos.
“Ainda há muito trabalho a fazer e acredito que o primeiro-ministro [Hailemariam Desalegn] é o primeiro a admitir que há muito para fazer”, reforçou o chefe de Estado norte-americano.
Em resposta, Hailemariam Desalegn afirmou que o compromisso da Etiópia para com a democracia “é real”.
“O nosso compromisso para com a democracia é real e não é uma fachada”, assegurou o primeiro-ministro da Etiópia, país regularmente acusado de violar os Direitos Humanos e de silenciar as vozes dissidentes.
Ainda na capital etíope, Barack Obama abordou a situação no Sudão do Sul, país devastado por uma guerra civil.
“Infelizmente, a situação continua a deteriorar-se. A situação humanitária agravou-se”, disse Obama, apelando para a concretização de um “acordo de paz” entre as diferentes fações do conflito para “as próximas semanas”.
O conflito armado, que dura há 19 meses, já fez dezenas de milhares de mortos e mais de 2,2 milhões de deslocados, segundo observadores internacionais.

03 agosto 2015

Quase 40 túmulos cristãos são profanados em cemitério na França

France Presse
03/08/2015 18h26 - Atualizado em 03/08/2015 18h26

Quase 40 túmulos cristãos são profanados em cemitério na França

Crucifixos foram revirados ou quebrados e uma lápide foi danificada.
Ministério do Interior informou sobre atos em cemitério do leste do país.

Da France Presse
Cerca de 40 túmulos cristãos foram profanados no cemitério de Labry, no leste da França, com "crucifixos revirados ou quebrados e uma lápide, danificada", anunciou o Ministério do Interior francês nesta segunda-feira (3) à noite.
"Nesta segunda à tarde, policiais (...) constataram a profanação de cerca de 40 túmulos cristãos no cemitério de Labry (no departamento de Meurthe e Mosela)", de acordo com a nota divulgada pelo Ministério.
"Trata-se da quinta profanação de cemitérios neste departamento desde o início deste ano", acrescentou o comunicado.
"Esses atos inaceitáveis clamam por uma resposta penal firme. As investigações devem permitir identificar e processar os culpados", completou o Ministério, na mesma nota.
A comuna de Labry fica pelo menos 30 km ao oeste de Metz, capital de Lorena, no leste da França.

Presidente Obama anuncia redução de emissões de CO2 no setor de energia nos EUA

03/08/2015 15h36 - Atualizado em 03/08/2015 15h46

Obama anuncia redução de emissões de CO2 no setor de energia nos EUA

Presidente americano lançou Plano de Energia Limpa nos Estados Unidos.
País terá de reduzir emissão de CO2 no setor em 32%, até 2030.

Do G1, em São Paulo
Obama fala sobre novo plano de redução de emissão de gases no setor de energia (Foto: Reprodução/YouTube/The White House)Obama fala sobre novo plano de redução de emissão de gases no setor de energia nesta segunda-feira (3) (Foto: Reprodução/YouTube/The White House)
O presidente Barack Obama lançou nesta segunda-feira (3) o Plano de Energia Limpa nosEstados Unidos, por meio do qual o setor de energia elétrica do país terá de reduzir em 32%, até 2030, as emissões de gases do efeito estufa em relação aos níveis de 2005.
A medida é o maior e mais importante passo que os EUA já deram para combater a mudança climática, afirmou o presidente durante o anúncio transmitido ao vivo na internet pela Casa Branca. "Nenhum desafio coloca maior ameaça para as gerações futuras do que a mudança climática", acrescentou o presidente americano.

O modelo de produção de energia dos EUA é baseado em termelétricas a carvão. As centrais elétricas são a maior fonte de emissão de gases do efeito estufa do país que contribui para a mudança climática. O país não tinha, até o momento, limites federais para as emissões pelas centrais elétricas.

“Nós limitamos a quantidade de químicos tóxicos, como o mercúrio, enxofre e arsênico em nosso ar e água. Mas as centrais elétricas ainda podem despejar quantidades ilimitadas de poluição de carbono no ar que respiramos”, disse Obama. “A mudança climática não é um problema para outra geração”.
Segundo Obama, cada estado americano vai ter a chance de criar um plano próprio para reduzir as emissões pelo setor energético. A ideia é premiar os estados que começarem a aplicar esses planos antes.
Encíclica papal
Durante o anuncio, Obama citou a encíclica do Papa Francisco sobre o meio ambiente ao dizer que tomar um atitude contra as mudanças climáticas é uma obrigação moral dos países.
A regulação anunciada nesta segunda dará início a uma transformação abrangente do setor elétrico norte-americano, encorajando uma agressiva mudança rumo a mais energias renováveis e afastando a geração via carvão.

Grupos industriais e alguns legisladores de Estados que contam com energia baseada no carvão disseram que vão desafiar o plano nos tribunais e por meio de manobras no Congresso, acusando a administração de um ataque à regulamentação que elevará os preços da energia.

Acordo com a China
No ano passado, os EUA e a China, os dois maiores poluidores do mundo, anunciaram um acordo para reduzir uas emissões de gases do efeito estufa na atmosfera.

Pelo acordo, os EUA pretendem cortar entre 26% e 28% as emissões de gases em até 11 anos, ou seja, até 2025, o que representa um número duas vezes maior que as reduções previstas entre 2005 e 2020.

Os chineses se comprometem a cortar as emissões até 2030, embora possa começar antes. Segundo presidente chinês, até lá 20% da energia produzida no país vai ter origem em fontes limpas e renováveis.

Cúpula do clima
A porta-voz do Meio Ambiente da Alemanha, Frauke Stamer, indicou à imprensa que a decisão do presidente Barack Obama é um "sinal importante" para a Cúpula do Clima da ONU que será realizada no final deste ano em Paris e que servirá para alcançar um acordo global para combater o aquecimento global.
"Aplaudimos que os Estados Unidos afrontem o desafio da mudança climática", afirmou Stamer.

A Cúpula do Clima de Paris tem o ambicioso objetivo de fechar um acordo internacional e vinculativo para reduzir as emissões de carbono e conter o aquecimento global.
Se atingir o objetivo, este novo acordo substituirá, a partir de 2020, o Protocolo de Kyoto. O objetivo é tentar conter o aumento da temperatura média do planeta em 2ºC até o fim deste século e, com isso, frear as alterações climáticas, que podem provocar catástrofes naturais em todo o mundo.
IPCC - arte (Foto: G1)

Oito exemplos de águas de rios que foram limpos mundo afora e como poderíamos chegar lá

por Amelia Gonzalez

Oito exemplos de águas de rios que foram limpos mundo afora e como poderíamos chegar lá

Baía da Guanabara
Alguma coisa está bastante fora da ordem quando eu vejo nas principais páginas de meio ambiente de sites pelo mundo, a (mesma) foto do corpo destroçado de uma boneca, de cabeça virada para o lado, mergulhado numa água imunda, cheia de lixo. Aquelas são as águas da Baía de Guanabara, informam-me as legendas. Não me espanto, porque conheço bem o problema da poluição nesse lugar. Mas fico me perguntando em que paradoxo, dos muitos da nossa era, se encaixariam esta triste cena  e a imagem ufanista do Rio como cidade maravilhosa que conseguiu ganhar, em 2009, as eleições do Comitê Olímpico Internacional (COI) para sediar o evento aqui no ano que vem?

Falei sobre meu desconforto a amigos. Afinal, como só agora, seis anos depois, descobriram que os atletas terão que nadar entre fezes, carcaças de animais mortos e lixo variado e  que isso, é claro, vai trazer problemas para a saúde deles? A questão é que havia um compromisso de acabar com o problema, não cumprido, recordam-me alguns. E alguém achava que seria cumprido?, esbravejo, irritada que ando com tanta superficialidade nas promessas de autoridades. Instigam-me a pesquisar mais sobre o assunto para escrever aqui no blog, e me lancei à tarefa. Afinal, jornalista que tenta manter sempre atualizados os assuntos ligados à sustentabilidade não pode deixar essa notícia de lado.

Primeiro, busco boas notícias. Se os atletas olímpicos tivessem que concorrer em territórios diferentes, estariam mais seguros contra o risco de contrair hepatite, giardíase, amebíase, esquistossomose e outras doenças mais? Segundo uma reportagem de 2013 publicada no site EcoDesenvolvimento, atualmente os 500 maiores rios do planeta enfrentam problemas com poluição, dado colhido na Comissão Mundial de Águas. Mas há oito exemplos que foram elencados  porque conseguiram livrar desse mal as populações das cidades do entorno. Vamos a eles.

Paris já foi banhada por um rio em estado lastimável, mas isso na década de 20 do século passado. A partir de 1960 os franceses, incomodados com a situação, passaram a exigir de seus governantes estações de tratamento de esgoto, e a meta é que este ano o Sena esteja 100% despoluído. Há um incentivo em dinheiro para os agricultores que vivem às margens não sujarem as águas, mais ou menos como é a proposta do projeto que pretende pagar aos moradores da floresta para deixá-la em pé. Em tempo: consultei, via email, uma amiga que mora em Paris e ela me disse que a meta de o Sena estar totalmente limpo ainda não foi alcançada.

Rio Tâmisa, em Londres, também não era motivo de orgulho para os londrinos no século XIX , mas este problema parece já estar longe de preocupá-los. Há duas mega estações de tratamento de esgoto e dois barcos percorrem o rio diariamente retirando toneladas de lixo por dia. Em Lisboa, foram investidos 800 milhões de euros para a revitalização do Tejo, o maior rio da Europa Ocidental. Em 2000 foi criada a Reserva Nacional do Estuário do Tejo que, junto a outras iniciativas, contribuem para manter o rio limpo. Hoje tem até golfinhos nadando em suas águas.

Em Seul, na Coreia do Sul, o que salvou o rio de pouco mais de 5 quilômetros que corta a cidade foi a implosão de um grande viaduto, um projeto de nova política de transporte público e a ampliação de parques verdes. Foram apenas quatro anos para revitalizar completamente o Rio Cheonggyecheon. Já outro rio na mesma cidade, o Han, que tem papel fundamental para o desenvolvimento da região, está passando pelo mesmo processo.

Às margens do Rio Reno, que tem 1,3 mil quilômetros e banha seis países europeus, durante muitos anos foram jogados dejetos industriais, o que o levou a ser apelidado, na década de 70, como “a cloaca a céu aberto da Europa”. Depois de um grande vazamento de detritos em 1986 os governos resolveram se mexer e hoje 95% do esgoto  das empresas são tratados e já há 63 espécies de peixes vivendo em suas águas. EmCleveland, nos Estados Unidos, também devido à maciça atividade industrial, aliado ao lançamento de esgoto doméstico, o rio Cuyahoga era bastante poluído. Um Ato de Água Limpa foi assinado nos anos 70, mais de 3,5 bilhões de dólares foram investidos e hoje seus 160km de extensão são lar e fonte de sustento de diversos animais.

Os canais de Copenhague, capital da Dinamarca, encerram essa lista. Já foram muito poluídos, mas quando a cidade decidiu se tornar neutra em carbono até 2025,  começou a mudar este cenário. Reconstruíram as galerias pluviais, estabeleceram reservatórios de água em pontos estratégicos da cidade para armazenar água da chuva e o encanamento de esgotos foi melhorado. O lixo passou a ser incinerado. É bom que se diga: Copenhague é uma cidade que hoje vive focada em baixar as emissões e tem feito o dever de casa. Estive lá em 2011 e entrevistei a secretária de meio ambiente, Charlotte Korsgaard (leia aqui) . Naquela época, 37% dos moradores já andavam de bicicleta e a meta é chegar a 2025 com 50%.

Bem, acabam-se aí as boas notícias. O que nos interessa, voltando à trágica foto da bonequinha mergulhada em águas fétidas, é saber o que poderia ser feito para que esta cena servisse para que aqui no Rio a população, os governantes, os empresários, enfim... todo mundo junto decidisse que, mesmo que não fosse para evento algum, a Baía da Guanabara será, finalmente, limpa, porque os cidadãos cariocas merecem. Ter informação é básico para se engajar , dizem estudiosos do movimento social. Em recente lançamento de pesquisa sobre as obras que estão sendo feitas para as Olimpíadas, constatou-se que, justamente, informação é o que mais falta à Prefeitura nesse quesito (leia aqui).

No livro “A cidade no Século XXI” (Ed. Consequencia), o autor Álvaro Ferreira, crítico do fenômeno que ele chama de “cidades vendáveis” e de administradores que se tornaram “empreendedores”, diz que  é cada vez mais “necessária a criação de formas de participação, por parte dos cidadãos, nas decisões de produção do espaço da cidade”. Para ele, “participar significa desejo de intervir, significa ter um sentimento de pertencimento a um grupo social, à cidade, e vontade de transformar o estado de coisas atual”.

Os bons exemplos que selecionei estão, não por acaso, em países ricos. Pesquisei como está a situação dos rios das nações dos Brics (termo criado por Jim O’Neill, diretor do Goldman Sachs, para os países emergentes com potencial de expansão), que têm na falta de recursos um grande álibi para o desleixo com suas águas. O resultado da minha pesquisa não deve surpreender ninguém.

Na China, o Yang Tsé tem sido vítima de águas residuais que contém antibióticos, entre outras fontes de poluição (leia aqui). O Rio Ganges, na Índia, recebe mais de dois terços do esgoto gerado em 118 cidades localizadas ao longo de sua bacia, segundo um relatório recente (leia aqui) . De acordo com o Greenpeace Rússia, os poluentes nas águas do Rio Moscow têm violado os limites de segurança e, em grande parte, são lançados pelas indústrias locais (veja aqui).

Só para aumentar a quantidade de informações, no site do Comitê Olímpico a notícia é de que para cuidar do planejamento e da operação dos jogos há um orçamento de R$ 7 bilhões. Mas este dinheiro não é para realizar obra alguma.

Penso que a maior reflexão que se pode obter quando se começa a pesquisar a questão é que há um explicável – devido aos apelos do mercado – foco do prefeito em alavancar a cidade para além das fronteiras. Com isso, ganham aqueles que conseguem um emprego – mesmo que transitório – e, em tese, ganharia também a cidade com obras que deixariam a vida dos cariocas mais saudável e confortável. Eu disse, em tese...

Crédito da foto: Matthew Stockman/Getty Images